segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Já salvei mais de 10 mil vidas

Há três anos o Comando Regional de Bombeiros de Livramento está sob a orientação de um oficial bem relacionado. Desde que chegou à cidade, o Major Pedro Ricardo Maron Burgel mostrou facilidade em fazer amigos, organizar eventos da corporação e conversar com a imprensa sem fugir de qualquer pergunta. Natural de Porto Alegre, o Major ingressou na Brigada Militar em 1986 e nos Bombeiros em 1994. Antes de vir para a fronteira, ele passou por Cruz Alta, Gravataí, São Leopoldo e Esteio, onde viveu por cinco anos. Burgel pretende retomar o curso de Administração trancado na Ufrgs agora aqui na Unipampa e confessa ser difícil de unir família e profissão devido às mudanças de cidade. Hoje, a sua esposa mora em Cidreira onde é servidora municipal e está grávida.

Qual o maior problema hoje dos Bombeiros em Livramento?

É o fogo no campo. Nós precisamos deslocar homens e viaturas, existe um grande desgaste porque, ao contrário de incêndio em casas ou acidentes de trânsito, leva-se bem mais tempo para resolver a ocorrência e diminui nosso efetivo disponível na cidade. Em 2008, aconteceram 326 incêndios no mato em Livramento, enquanto em Uruguaiana foram 153. Os dois municípios de maior incidência em nosso comando desse tipo de ocorrência.

E qual a estrutura dos Bombeiros?

Temos 27 servidores atuando no setor administrativo do Comando e outros 20 no operacional. Contamos com três caminhões, um caminhão magirus que deve voltar da manutenção em outubro, uma viatura resgate, três carros, um barco a motor e, aqui na cidade, contamos com dois postos.

Qual a situação do Fundo dos Bombeiros?

O saldo atual é de R$ 92 mil, arrecadamos uma média de R$ 12 mil mensais e teremos agora uma despesa de R$ 65 mil com o pagamento de dois carros adquiridos para o serviço de prevenção. Os investimentos feitos nos últimos seis anos foram com recursos do fundo, R$ 615 mil foi usado nesse período. Aumentamos a arrecadação, mas estimamos que metade dos prédios ainda não tenham um plano de prevenção aprovado pelos Bombeiros.

Qual sua experiência inesquecível no Corpo de Bombeiros?

Em Cidreira, quando eu estava na Operação Golfinho, em 2000. Eu e um colega entramos no mar para salvar uma menina de 14 anos, uma menina reforçada, o que tornou muito difícil tirá-la de dentro da água. E no mar, um minuto parece representar três ou quatro minutos para quem está numa situação dessas. A situação ficou muito difícil, não sabíamos mais o que fazer, o sargento que estava comigo quase morreu afogado, assim como a menina. Ficamos tentanto e tentando até que 15 minutos depois conseguimos finalmente tirá-la do mar. Entre a praia e o hospital, a adolescente teve três paradas cardíacas, e o meu colega passou dez dias hospitalizado em recuperação... mas todos sobrevivemos.

O senhor já salvou muitas vidas?

Eu costumo dizer que o nosso trabalho, a nossa atitude, pode salvar muitas vidas. Assim são os casos dos bombeiros mirins e da nossa ação de prevenção. Eu sempre respondo essa pergunta para o meu filho dizendo que já salvei mais de dez mil vidas graças ao nosso trabalho , ao nosso serviço de propagar a prevenção, de evitar que tragédias aconteçam... mas a verdade é que não temos como saber.

1 comentários:

Luciano Kelbouscas Pacheco disse...

Duda, meu querido amigo e irmão Burgel está em POA onde sua esposa está hospitalizada, pois está grávida e o guri quer nascer antes da hora. Assim, estamos rezando e torcendo por uma pronta recuperação. Quanto a entrevista que fizestes com o Burgel, ele realmente é um profissional dedicado e uma excelente pessoa, íntegra e dedicada. Fraternalmente, Luciano