A Segunda Guerra Mundial terminou há mais de seis décadas, mas quem tiver interesse em conhecer um pouco dessa história pode conversar com o Padre Ézio Berteotti, pároco da Igreja Matriz de Sant’Ana. Aos 78 anos hoje, natural de Trento, norte da Itália, o padre tinha apenas 14 quando iniciaram os conflitos por toda a Europa, principalmente na região onde morava. O seminário em que estudava foi bombardeado, e sua mãe ficou magoada quando notou o pequeno Ézio faceiro com a iminência da guerra. “Não sabia nada de guerra, era curiosidade de criança, mas meus pais já haviam sofrido muito com a primeira”, diz com lágrimas nos olhos. O italiano que mora no Brasil há 50 anos não deixa assunto sem opinião e assim mesmo tem feito muitas amizades por todas as cidades onde passa.Como o jovem Ézio Berteotti virou padre?
Desde meus oito anos sentia vontade de ir para a África ajudar a construir escolas, hospitais e igrejas. Essa vontade foi provocada por um missionário que foi a nossa escola e mostrou a situação triste do continente africano. E o caminho mais fácil para se doar a essa causa era ser missionário-padre.
E o senhor já ajudou a construir escolas, hospitais e igrejas?
Em Formigueiro, construímos um colégio de 1º e 2º grau e fui diretor junto com as irmãs de Madre Paulina. Em Santa Maria, onde morei por 20 anos, ajudei a construir as primeiras creches nas vilas pobres.
Como o senhor vê a redução de fiéis na Igreja Católica?
Ela está perdendo continuamente fiéis porque a sociedade moderna se afasta de Deus. As pessoas querem um Deus adaptado aos seus interesses, bem do jeito que essas seitas apresentam. Não está certo. Nós devemos agradecer e adorar Deus e pedir o que devemos fazer, e não dizer o que Ele deve fazer.
E a Segunda Guerra, Padre Ézio?
Vivi a guerra com 14 anos. Meus irmãos eram coronéis da aviação com os norte-americanos. Meu pai fez a primeira guerra e foi obrigado a servir com os alemães. Dois primos morreram, um na Rússia, outro na Grécia. Livros e filmes passaram a mostrar a realidade desumana e cruel da guerra agora, 50, 60 anos depois, por respeito às mães das vítimas que morreram.
1 comentários:
Todas as seitas fazem adaptações de Deus a seus interesses. Não podemos esquecer que a Igreja Católica Apostólica Romana já trasformou Deus em Rei vingativo e creul, que castigava pelos pecados e que punia nessa vida e na outra.
Somente quando se percebeu que o Deus bonzinho do protestantismo, anglicanismo e calvinismo era mais lucrativo que o Deus da Santa Inquisição é que a Igreja transformou Deus em salvador.
O grande problema é que as pessoas continuam vendo Deus como um ser superior, externo, separado, distante. Em outras palavras, o grande problema é que Deus ainda está no céu. Para a maioria das pessoas, Deus ainda não desceu de lá. Acreditar que Deus está no Céu, e que há um demônio no inferno é acreditar que o Deus é uma criação humana, e não o contrário. Somente quando as pessoas perceberem que elas são parte de Deus, e que por isso ele é onipotente, onisciente e onipresente é que consiguirão se livrar das amarras das seitas religiosas.
Como disse Rousseau: "Quantos homens entre mim e Deus!"
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